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 Assunto do Tópico: CrÇonicas das Guerras Mitológicas
Mensagem Enviado: Dom Jul 11, 2010 9:20 pm 
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Data de registro: Sáb Jul 10, 2010 10:20 am
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Saudações a todos.

A partir de hoje começarei a postar aqui minha fic que trata dos primórdios do conflito entre Athena e os outros Deuses do Olimpo.

Esta é uma versão revisada da fic postada em outro fórum e que atualemnte se encontra no capítulo 27.

Como complemento também irei postar fanarts relacionadas à história.

Espero que todos apreciem a leitura.

Saint Seiya – Crônicas das Guerras Mitológicas – Tomo 01 – O Grande Prólogo
Capítulo 001 - Coração

1999 d.C.

A imensa biblioteca construída no estilo coríntio conta com imensas colunas preenchidas por caneluras em todo seu entorno, tendo ao centro de cada uma das quatro faces laterais do capitel um elemento circular decorativo, a flor do ábaco.

O piso em mármore branco, intensamente brilhante, reflete as luzes das piras fixadas ao longo de toda a sala e a pintura feita no teto representa as inúmeras batalhas travadas ao longo dos séculos entre Athena e os diversos Deuses que ansiavam pelo domínio da Terra.

As dezenas de estantes esculpidas em carvalho estão repletas de livros, manuscritos e pergaminhos tão antigos quanto à própria biblioteca.

Anexo à biblioteca há um auditório, não menos imponente que ela.

Sentada a frente no púlpito está uma mulher de longos cabelos castanhos claros trajando uma túnica branca que lhe cobre inteiramente o braço esquerdo e deixa a mostra o braço direito. Pulseiras douradas e um cinto lhe moldam a túnica ao corpo e sandálias de couro com tiras amarradas pouco acima do tornozelo calçam-lhe os pés enquanto que a máscara que oculta sua face deixa claro quem ela é, uma Amazona.

Em volta dela, dezenas de jovens, meninos e meninas, sentados e trajando roupas esfarrapadas, ideais para a vida de treinamentos que levam anseiam por ouvir seus relatos.

“Todos vocês aqui presentes hoje anseiam pelo dia em que farão parte da Confraria dos Sagrados Cavaleiros de Athena, mas nem todos se mostrarão merecedores de tal honraria. Duro será o treinamento a que vocês se sujeitarão, nem todos sobreviverão e sobreviver não significará que foram aceitos, pois restará o derradeiro teste.”

Sua aparência transmite uma profunda serenidade, mas suas palavras são firmes e duras e chegava ao ponto de intimidar os jovens aspirantes.

“Mas não é apenas o corpo que precisa de treino, também a mente necessita ser treinada e para isso vocês estão aqui. Comigo vocês conhecerão a história dos Cavaleiros que vieram antes de vocês. Meu nome é Yulij, Amazona de Bronze de Sextante, e a partir de hoje serei sua mestra.”

“Por que teremos como mestre alguém que pertence à categoria mais baixa dentre todos os Cavaleiros? Eu esperava que um Cavaleiro de Prata ou mesmo de Ouro foi nos instruir.”

O jovem aprendiz debocha descaradamente de Yulij e todos riem junto com ele.

“Vejo que você deve se achar muito esperto, não é mesmo? Mas se você ou qualquer outro aqui pensa dessa maneira significa que não serve nem mesmo para ser o simples guarda do Santuário.”

“O que?”

“É exatamente isso que você ouviu. Até mesmos os guardas sabem quais as obrigações de quem usa a Armadura de Sextante.”

O corpo de Yulij foi envolto pelo brilho escarlate de seu Cosmo, deixando impressionados todos os presentes e, descendo de onde estava, dirigiu-se até o jovem enquanto a Armadura de Sextante se formava sobre seu corpo.

“Mesmo dentre os Cavaleiros de Ouro, os mais fortes entre todos os Cavaleiros, aquele que veste esta Armadura é tratado com respeito e a devida reverência, pois é seu dever registrar toda a história do Santuário.”

A forma como ela se dirige a todos é intimidadora, especialmente para o jovem que ousou questioná-la.

“Força não significa necessariamente força física. Conhecimento também representa força. Conhecimento sobre um oponente pode significar a vitória mesmo que você seja inferior a ele em termos de força física e de Cosmo.”

“Então um Cavaleiro de Bronze pode vencer um Cavaleiro de Ouro em combate?”

A pergunta feita por outro aspirante leva Yulij a rir momentaneamente.

“Não sejamos tão radicais. O que lhes disse se aplica quando há pequena disparidade de forças entre os oponentes. Um Cavaleiro de Bronze desafiar um Cavaleiro de Ouro e vencer seria como um verme desafiar um Deus.”

Ela retorna para o púlpito enquanto sua Armadura se desfaz e ela retorna as suas vestes originais.

“Agora que deixamos as coisas claras por aqui, vamos começar.”

1506 a.C. Sapta Sindhuna (atual Índia).
Situado entre as Colinas de Satpura e Vindhya ao norte do Planalto de Deccan o Vale do Rio Narmada abriga um floresta habitada por diversas espécies de animais e aves e uma enorme variedade de plantas.

Um lugar de beleza sem igual alimentada pelas águas do Rio Narmada que não trazem apenas vida, mas também o terrível sabor da morte.

Splash tchá! chuá!

Uma mulher se arrasta com muita dificuldade para fora das águas apoiando-se nas pedras e vegetação às margens do caudaloso rio.

De longos cabelos negros, sua beleza jovem é ofuscada pelos hematomas que trás no rosto, suas roupas estão rasgadas e marcadas com seu próprio sangue, a respiração e o coração estão acelerados. Ela tenta se colocar de pé, mas lhe falta força.

A dor a faz desmaiar.

Brrr booom!

O som dos trovões ribomba por todo vale anunciando a chuva que se aproxima à medida que as nuvens ocultam o brilho da Lua, encobrindo de trevas toda a terra.

Abrindo os olhos lentamente a jovem sente o frio e a dor percorrendo seu corpo não deixando dúvida de que ela está vida, mas até quando?

“Coff! oss! uss!”

Ela tosse muito, mas a dor lhe impede de se mover fazendo o sangue misturado a outras secreções serem expelidos com certa violência, tingido sua face, partes de suas roupas e o chão.

Com a dor vem a lembrança das agressões e da violência que sofreu. De olhos fechados é como se ela revivesse cada momento em sua mente.

Cada golpe que levou estava marcado em seu corpo, o sangue em suas roupas é a prova da pureza que lhe foi roubada.

O som de algo se movendo entre a vegetação a faz abrir os olhos, seu coração dispara e a respiração se torna ofegante.

“Lorde Shiva, em ti reside morte e vida. Agora que minha vida se encontra perto do fim, que por tuas mãos algo novo possa ser criado quando meu corpo for destruído.”

Sem poder ver o que se aproxima, ela fecha novamente os olhos esperando pela fera que se aproxima e reza aos Deuses para que sua morte seja rápida.

“Pobre e triste criança. Humilhada espera pela morte que jamais chegará.”

Não era um animal, mas uma pessoa. Uma voz feminina vinha de poucos metros de distância, mas se aproximando.

Momentaneamente as nuvens se dissipam, afastando por hora a chuva. A luz do luar revela a face de uma mulher jovem, cabelos castanhos presos com adornos dourados e um sari todo branco com detalhes e ornamentos dourados.

“Ajude-me!”

Superando a dor que toma conta de seu corpo a jovem consegue se virar, ficando com o corpo deitado de lado, braço direito caído sobre o ventre, sangue e secreções escorrendo pela boca e lágrimas dos olhos.

“Ajude-me, por favor...”

“Como posso lhe ajudar se você já aceitou a morte em seu coração? Não há por que ajudar alguém que não deseja mais viver.”

A mulher caminha ao redor da jovem, braços cruzados e mão direita no queixo, olha-a como se examinasse um objeto qualquer.

“Por favor...”

A mulher ajeita a parte de trás de seu sari, senta-se em uma pedra próxima sem demonstrar nenhum sinal de pena da jovem que agoniza à sua frente.

“O que fará se eu a ajudar e você se recuperar completamente? Voltará a sua vila para acusar seus agressores correndo o risco de sofrer nova violência ou irá para outra vila apenas para viver de restos como um animal?”

Com muito esforço a jovem se coloca sentada de lado, pernas dobradas e apoiando-se nos dois braços. Seus longos cabelos negros caem pelos lados de sua face.

“Não seria melhor morrer aqui e encerrar seu sofrimento?”

A jovem fica em silêncio.

“O que seu coração deseja? O que você desejava quando clamou por seu Deus Shiva?”

A jovem estava em silêncio, mas seu coração parecia gritar seu único desejo. Aquilo que realmente buscava.

“Vingança? É isso que deseja? E quem irá vingá-la? Quem irá lhe fazer justiça?”

Ela então compreendeu. Não havia ninguém que poderia vingá-la ou lhe fazer justiça, pois ninguém a viu ser agredida. Seria sua palavra contra a de seus agressores e a palavra de uma mulher naquela região era o mesmo que nada.

Desolada, ela cerra os olhos que derramam lágrimas em abundância e baixa a cabeça, deixando que os cabelos lhe escondam a face.

“Você pediu a Shiva que de sua morte nascesse algo novo e estou aqui para lhe oferecer aquilo que deseja. Claro que minha ajuda terá um preço.”

“O que você pode desejar de mim que nada mais possuo a não ser a minha...”

Os olhos dele então se abrem como jamais haviam feito antes e finalmente ela compreende as reais intenções daquela mulher.

“Você deseja minha vida, minha alma, não é mesmo Ashura?”

“Ha! Ah! Ah! Ah! Ah!”

A gargalhada da mulher ecoa por toda a floresta surpreendendo a jovem.

“Criança tola e imatura. Acha mesmo que se eu fosse algum tipo de demônio eu me prestaria ao trabalho de lhe propor uma barganha para obter algo que logo estaria ao meu alcance?”

As palavras da mulher deixaram a jovem confusa.

“Morta você não tem qualquer valor para a Deusa a quem sirvo e da forma como está agora você não tem qualquer valor para ela também, mas você pode mudar isso.”

“O que quer de mim? Que valor tem minha vida para esta Deusa a quem você diz servir?”

“Se quer descobrir siga naquela direção.”

A mulher aponta em direção à densa floresta.

“Abandone sua ignorância e descubra seu verdadeiro ‘eu’. Faça isso e terá o que deseja.”

A jovem olha temerosa para onde a mulher apontou, imaginando o que poderia haver ali e na sua distração a mulher desapareceu como se jamais houvesse estado ali.

Com dificuldade ela se coloca de pé, seu corpo ainda dói, mas não tanto quanto antes e em vão ela procura ao redor por algum vestígio daquela mulher.

O vento começa a soprar forte trazendo consigo nuvens que anunciam a tempestade que se aproxima. Este mesmo vento parece falar com a jovem, fazendo-a caminhar para o interior da floresta e ali desaparecer junto com as primeiras gotas de chuva.

Na outra margem do rio, em meio as árvores a mulher observa enquanto suas vestes sofrem uma transformação, assumindo a forma de uma armadura de brilho dourado com asas exuberantes nas costas.

Ficha de Personagem

Nome:
Yulij Taneyev
Classificação: Amazona de Bronze
Constelação Protetora: Sextante
Nascimento: 12 de Maio de 1982 (17 anos em 1999)
Signo: Áries
Local de nascimento: Moscou, Rússia
Local de treinamento: Ilha Ven, Estreito de Oresund, entre a Dinamarca e a Suécia
Cabelos: Castanhos
Olhos: Azuis
Pele: Clara
Altura: 1m74cm

Curiosidades:
• Yulij é um nome russo que, traduzido para o português, significa Júlia. O nome é uma homenagem ao violinista e compositor russo Yúlij Eduárdovič Konyús.
• Taneyev é uma homenagem ao violinista, compositor e professor russo Sergei Ivanovich Taneyev e entre seus alunos se destacam Sergei Rachmaninoff e Yúlij Eduárdovič Konyús.
• Seu local de treinamento é uma homenagem a Tycho Brahe, astrônomo dinamarquês que construiu dois observatórios, Uranienborg (Castelo de Urania, a Musa da Astronomia) e Stjerneborg (Castelo da Estrela), nesta ilha. Neste local ele utilizou o sextante para medir a posição de diversas estrelas.

História:
Nascida em uma família abastada, Yulij Taneyev cresceu cercada de todo o conforto que uma criança poderia querer e cercada por livros. Aos 7 anos de idade já demonstrava interesse por história e ciências. Nesta época, sua família recebeu a visita de um emissário do Santuário, o Cavaleiro de Ouro Kamus de Aquário, que veio buscá-la para se torna uma amazona para servir à Athena. Ele a levou até a Ilha de Ven para aprender sobre o Cosmo e a ler as estrelas com Benj, o até então Cavaleiro de Sextante, e regularmente o próprio Kamus viria até ali para lhe instruir.

Passados 10 anos do início de sua instrução e sabendo que deixaria este mundo em breve, Benj preparou um teste para sua pupila para determinar se ela seria ou não digna de receber a vestimenta sagrada.

Yulij recebeu a armadura de Sextante de Kamus e depois foi levada por ele para o Santuário para ser apresentada ao Grande Mestre Shion.

Função:
O cavaleiro ou amazona que utiliza esta armadura tem como função principal registrar a história da Confraria dos Sagrados Cavaleiros de Athena, mantendo sempre um registro preciso de tudo que ocorre com qualquer cavaleiro. Apenas em último caso entra em um confronto físico e se reporta diretamente ao Grande Mestre e à Athena.

Por sua posição estratégica, até mesmo os Cavaleiros de Ouro tratam o cavaleiro ou amazona de sextante como Mestre e ninguém a não ser o Grande Mestre ou a própria Athena pode questionar suas ordens.

Habilidades:
Oráculo das Estrelas –
Habilidade básica desta constelação. Consiste na leitura e interpretação dos corpos celestes.


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